Um cadáver insepulto
"O silêncio diante das suspeitas virou parte do escândalo que corrói a credibilidade das instituições" Na última quinta-feira, 9 de julho, completaram-se sete meses, sete longos meses em que o Brasil fala de tudo - carnaval, trivialidades diversas, futebol, eleição - mas desvia o olhar, e as narinas, de um cadáver moral que se decompõe à vista de todos na Praça dos Três Poderes e empesta o ar da República. A primeira informação que veio a público, em 9 de dezembro do ano passado, já era grave o bastante para levar ao imediato afastamento de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal e à sua inscrição no rol de investigados pelo maior golpe já praticado contra o sistema financeiro do país. Pelos códigos morais que devem reger a mais alta corte de justiça em qualquer nação séria, Moraes não deveria voltar a vestir a toga que já pertenceu a ministros probos, como seu antecessor, Teory Zavascky, até q...