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Não é sobre Toffoli, mas sobre um sistema de poder

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  "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo", teria dito a  ministra Cármen na famosa reunião do Supremo . Revelação do ano. Nunca  imaginei que nossos ministros andassem de táxi. O mais curioso foi o  "STF futebol Clube". Suspeição de ministro só em caso de  "estupro" ou "pedofilia". Uma inovação jurídica. O ponto chave:  se a PF investiga este ministro, porque ela não investigaria algum outro  logo adiante? De modo que o melhor é pensar na "institucionalidade". Na prática, sacrificar Toffoli, sob pena dos demais ministros se  tornarem "sócios" da crise, como lembrou um jornalista antenado. O  que apenas daria munição ao discurso "bolsonarista" contra a Corte.  E, no limite, levar a uma "ressignificação dos atos de 8 de  janeiro". Bingo. Há uma campanha eleitoral este ano. Taxistas têm a  língua solta, e não dá para prender todos por "ataque à democracia".  De modo que o melhor mesmo é pensa...

Os palácios vão desabar

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Na sexta-feira de Carnaval, acordei com a inesquecível Clara Nunes  soprando, em minha memória, os versos alentadores de As forças da  natureza, relíquia de Paulo César Pinheiro e João Nogueira. A voz da  mineira filha de Ogum com Iansã despontava nos anos 70 como um doce  brado de anunciação da liberdade que estava por chegar e a reconquista  do poder pelo homem do povo - o ser que um burocrata petulante e  afetado, que vestia toga, andou chamando de " manés". Na canção, dizia-nos ela, o sol iria se derramar "em toda sua essência  pra combater o mal". E o mar / com suas águas bravias / levar consigo o pó dos nossos dias /  vai ser um bom sinal. / Os palácios vão desabar / sob a força de um  temporal / E os ventos vão sufocar / o barulho infernal. / Os homens vão  se rebelar / dessa farsa descomunal / Vai voltar tudo ao seu lugar /  Afinal. Supremo Tribunal Federal já teve está se entredevorando - o que é um  primeiro passo par...

STF - Aos amigos e parentes, tudo; aos inimigos, a força da lei

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  Aos amigos, tudo; aos inimigos, a força da lei." Esta frase, de  conhecimento geral - atribuída por alguns a Nicolau Maquiavel e, por  outros, a Getúlio Vargas - parece ter reverberado, com especial  eficácia, nos meandros do Supremo Tribunal Federal. Determinadas  decisões do egrégio STF parecem ter transformado a célebre frase em um  verdadeiro mantra para alguns de seus membros, com o adendo de que  utilizam a força da lei, por meio de interpretações heterodoxas, não  para a correta aplicação da almejada justiça, mas para perseguir seus  desafetos. A imparcialidade do magistrado, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito, garante aos cidadãos que o julgador atue com neutralidade e isenção, mantendo a necessária equidistância das partes, exercendo seu mister sem favorecer ou prejudicar qualquer dos litigantes. No mesmo diapasão, visando assegurar essa imparcialidade, a legislação prevê hipóteses de impedimento e suspeição do ...

O Golfo dá o alarme que o Ocidente ignora

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  Há acontecimentos que desmontam certezas com uma simples decisão  administrativa. A mais recente veio dos Emirados Árabes Unidos. O país  anunciou que deixará de financiar estudantes interessados em  universidades britânica por temer que seus jovens sejam expostos  à  radicalização islâmica nos campi do Reino Unido. Leia de novo: um Estado árabe, muçulmano, decide que é perigoso mandar seus filhos estudar em Londres - e que é mais seguro mantê-los longe do ambiente universitário ocidental. O choque vem da inversão da narrativa. Durante décadas, acreditou-se que enviar jovens árabes para universidades britânicas ou americanas funcionaria como antídoto ao fanatismo: ciência, pluralismo, debate aberto. O futuro passava por Oxford, Cambridge ou Harvard. Agora, quem ergue barreiras não é uma democracia liberal, mas um emirado. E não para proteger sua cultura da influência ocidental, mas para impedir que seus estudantes retornem radicalizados do próprio Ocident...

Fazendo o País de bobo

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Algumas autoridades importantes de Brasília querem fazer os brasileiros  se convencerem de que nem sempre um bicho que tem pé de porco, orelha de  porco e rabo de porco é mesmo um porco. Por exemplo: ao contrário das aparências, dizem esses próceres da República, não há nada de errado quando o escritório de advocacia de um ministro da Justiça presta serviços para um banco investigado pela Polícia Federal, que está sob o comando desse mesmo ministro; também não há nenhum problema quando um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) decide comandar o inquérito sobre esse tal banco mesmo tendo parentes possivelmente envolvidos no caso; por fim, não há nada de mais quando o escritório de advocacia da mulher de outro ministro do Supremo é contratado por esse mesmo banco, com remuneração milionária, para representá-lo junto ao Banco Central e ao Congresso Nacional - atividade típica de lobistas, não de advogados. Ora, francamente. O possível envolvimento de autoridades de altíssimo ...

Nos tornamos o País do retrocesso?

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O debate da semana foi sobre a escala 3 x 1 no Congresso. A coisa toda  é simples: o funcionário trabalha três dias e folga um. Para que isso?  Combater o stress, compensar a trabalheira toda. O ponto é que a folga  pode ser convertida em dinheiro, e lá se foi o descanso. Na prática, há  um enorme aumento no salário, que pode ultrapassar em muito o teto do  funcionalismo. Como uma coisa dessas foi aprovada pelo Congresso?  Simples: voto simbólico, discussão nenhuma. E sem ninguém saber direito  de onde vai sair o dinheiro. É um bom retrato do Brasil atual. Quem defendeu a ideia de que era "preciso aumentar impostos", tem aqui sua resposta. Precisa sim, só que para fazer crescer mais um pouco os supersalários. Já temos o Parlamento mais caro do planeta em relação à renda média. É o país que mais gasta com penduricalhos. O fato é que o Brasil se tornou o País do retrocesso. Ano passado, houve algum barulho em torno da reforma administrativa. O deputado P...

Padre de MG nega eucaristia para quem apoia Nikolas Ferreira

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Durante a missa deste domingo (8), na Capela São Sebastião Pingo D’Água (MG), o padre Flávio Ferreira Alves negou dar a eucaristia para os fiéis que apoiam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pediu para que eles se retirassem da igreja. Duas mulheres que assistiam à missa gravaram o momento e, indignadas, compartilharam em suas redes sociais. Rapidamente o vídeo viralizou. – Tem católico concordando com ele. Tem católico concordado com Nikolas. Vou falar uma coisa grave, se você concorda com o Nikolas, que não quer dar botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora. Você não merece receber a eucaristia – disse o padre. A Diocese de Caratinga, responsável pela paróquia, se pronunciou por meio de uma nota pública (leia ao final da matéria), dizendo que a fala do padre “não condiz com as orientações pastorais da Igreja” e que o sacerdote “expressa seu profundo arrependimento” e pede perdão a toda a comunidade. A crítica é sobre o deputado ter votado contra a medida...