As lições de Ceuta
Não fui o único, mas aquelas imagens mexeram comigo. A multidão de jovens marroquinos chegando em boias improvisadas e levantando as mãos para os céus, nas praias de Ceuta. Seria uma prova de que a humanidade fracassou, leio em um texto. A ideia é forte, mas equivocada. A humanidade nunca deu nem bem certo nem bem errado. Mesmo em seus piores momentos, quando os nazistas executavam a Solução Final em Auschwitz ou Treblinka, jovens soldados caíam na Normandia, sob a artilharia alemã, para libertar a Europa da barbárie. A história é feita disso. Do melhor e do pior. Às vezes separados por muito pouco. O drama das migrações, em nossa época, nos conta exatamente esta história. Marroquinos que chegavam a Ceuta falavam em "trabalho". Alguns murmuravam a palavra "liberdade". Mas a ideia muito real e objetiva que capturava sua imaginação era "Europa". E por nada desse mundo diria que eles estão errados. Nos tempos recentes ...