Feche-se o STF, crie-se o TC
Quem não dorme em serviço percebeu, lá em março de 2019, com o inquérito 4781, que o Supremo Tribunal Federal inaugurava uma juristocracia à margem das leis e da Constituição. Uma ditadura, em português de mercearia. Por conveniências de ocasião, distintas mas convergentes, setores da vida política, do ministério público, da advocacia, da academia e da imprensa deram passagem livre e até teceram loas ao avanço do autoritarismo sem freios nem contrapesos, sob um pretexto consequencialista. A democracia "precisava" ser colocada em coma induzido para receber alta, firme e forte, mais à frente. Tudo haveria de dar certo porque, vejam, o cirurgião, desta vez, não traria sob o jaleco uma farda, mas uma toga. E assim, sob os bisturis de uma junta médica formada por tipos como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o supremo caudilho do tribunal, Gilmar Mendes, a República foi operada. Sete anos e centenas de prisões depois, o inquérito inaugural permanece...