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Mostrando postagens de março, 2026

Corra que a Polícia vem aí

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  São estarrecedores os detalhes que a cada semana vêm à tona sobre a  "Farra do INSS", como ficou conhecida a orgia de descontos  fraudulentos que aposentados, pensionistas e beneficiários da  Previdência Social sofreram em seus minguados proventos, um assalto de  mais de R$ 6,3 bilhões em proveito de espertalhões incrustados na  política, no meio sindical e até dentro do governo. O palco das revelações tem sido as concorridas sessões da CPI do INSS, que transformou a TV Senado em fenômeno de audiência. Nesta quinta-feira, em um confronto que quase desbordou para a pancadaria, a base parlamentar governista se revoltou por não ter conseguido impedir a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho de Lula, que se mudou para a Espanha em meados do ano passado, quando as investigações ganharam tração, é apontado em delações prestadas à Polícia Federal como sócio oculto do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, centro do ecossistema público-privado...

Sapucaí: ainda há o que falar

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Os discípulos de Paul Joseph Goebbels superam o mestre. Quando ministro  da propaganda de Hitler, Goebbels ensinou que repetir, repetir, repetir  uma mentira faz que ela se estabeleça como verdade. Os seus seguidores  vão além: eles repetem mentiras para que outra mentira, que não está em  pauta, grude na cachola da massa. E foi o que fez o ofensivo enredo da  rebaixada escola Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio, transformando  o sambódromo em palanque eleitoral e fazendo a apologia de Lula. O espetáculo de mau gosto e de estrito caráter panfletário, transmitido com exclusividade pela Globo (ora quem!), cuidou de varrer da memória do público o mensalão e o petrolão. Ajudou a sedimentar a "narrativa" de que a Lava Jato foi mera perseguição a "heróis do povo". Nem falar dos escândalos atuais! O lulopetismo está atolado até os eixos no roubo aos aposentados e a tropa do Lula faz o que pode para impedir as investigações da CPMI do INSS. Há muito mais. Poré...

A suruba de Vorcaro

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  Vorcaro usou todas as moedas disponíveis para corromper as instituições brasileiras. Inclusive a mais antiga delas: mulheres bonitas e festas com muita bebida e pouca roupa, para sermos discretos. No relatório que a Polícia Federal entregou ao ministro Edson Fachin, o que emerge não é apenas um relato de libertinagem, mas a descrição de uma engrenagem de corrupção sofisticada. O que os mortais chamam abertamente de “suruba” era, na verdade, um ambiente de negócios escusos meticulosamente planejado, onde a ostentação servia como lubrificante para a criação de uma rede de influências sem precedentes junto a políticos do Centrão. A logística por trás desses encontros revela o DNA de Vorcaro: a exuberância a serviço do silêncio.  O relatório detalha a presença de quatro mulheres para cada político, todas estrangeiras — suíças,  norueguesas, suecas e holandesas. A escolha não foi estética, mas estratégica. Ao importar acompanhantes que não falam português e não têm a menor n...

Ao justificar os inquéritos, a OAB legitima a própria lógica da exceção

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  Sobre esse pedido da OAB para um encerramento dos chamados inquéritos  sobre fake news, o problema do posicionamento, que é positivo para  democracia brasileira de toda maneira, é que eles encerram um paradoxo. Ao fazer o pedido para o encerramento de uma medida extraordinária, uma espécie de excepcionalismo democrático, justifica a própria medida extraordinária, justifica a existência dos inquéritos, a criação desses inquéritos lá em 2019, a sua permanência durante muito tempo, o seu caráter extraordinário, que, segundo a OAB, era necessário, porque havia ataques, havia ataques à honra de ministros, havia a disseminação de fake news, havia ameaças institucionais, um quadro de tensão, de instabilidade, poderia-se usar mais n argumentos nessa direção. Ora, se nós aceitamos que numa democracia constitucional, que por definição é feita de regras, uma Constituição, de um ordenamento jurídico estável e assim por diante, e quando há momento de tensão, há ataques à honra de mi...

Preconceito religioso em conserva

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  Não bastasse a polêmica sobre possível propaganda eleitoral antecipada e  o constrangimento do puxa-saquismo em torno do homenageado, o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva deixou o desfile da Acadêmicos de Niterói na  Sapucaí com uma ressaca moral que pode lhe custar caro nas eleições  deste ano: um desgaste a mais com um dos segmentos mais refratários ao  lulopetismo e à esquerda em geral - o evangélico. E não apenas ele,  mas também conservadores ou não que veem na família uma instituição  intocável. Como se viu, a escola levou à avenida uma crítica ao uso da imagem dafamília por entidades supostamente nefastas, entre  elas as igrejas neopentecostais. A ala da "família em conserva" foi interpretada, com razão, como deboche. Se vista de modo benevolente, a crítica reduz o universo evangélico a massa manipulada; se de modo direto, transforma fiéis em alvo de preconceito. Este, sim, nefasto. Exceto a militância petista mais empedernida, po...