Corra que a Polícia vem aí
São estarrecedores os detalhes que a cada semana vêm à tona sobre a "Farra do INSS", como ficou conhecida a orgia de descontos fraudulentos que aposentados, pensionistas e beneficiários da Previdência Social sofreram em seus minguados proventos, um assalto de mais de R$ 6,3 bilhões em proveito de espertalhões incrustados na política, no meio sindical e até dentro do governo.
O palco das revelações tem sido as concorridas sessões da CPI do INSS, que transformou a TV Senado em fenômeno de audiência. Nesta quinta-feira, em um confronto que quase desbordou para a pancadaria, a base parlamentar governista se revoltou por não ter conseguido impedir a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho de Lula, que se mudou para a Espanha em meados do ano passado, quando as investigações ganharam tração, é apontado em delações prestadas à Polícia Federal como sócio oculto do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, centro do ecossistema público-privado que tornou possível a roubalheira contra muitos em prol do enriquecimento de uns poucos.
A quebra dos sigilos de Lulinha foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, quando se debruçou sobre mensagens de telefones apreendidos pela Polícia Federal indicando pagamentos mensais de R$ 300 mil que o "Careca do INSS", como Antunes é conhecido, determinou a uma figura enigmaticamente referida como "o filho do rapaz". Antunes está preso. Seu filho, idem. Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e da esposa dele, partícipe desta triangulação de mensagens com Careca, recebeu tornozeleira eletrônica.
Ainda na quinta-feira, a CPI do INSS trouxe outra revelação abrasiva. O relator, deputado Alfredo Gaspar, informou que algumas das entidades que estão na mira da CPI por realizar descontos não autorizados cancelaram os serviços jurídicos que lhes prestava o escritório Abreu Lewandowski um dia antes - apenas um dia antes - da operação da Polícia Federal que mirou a gatunagem contra os aposentados do INSS. Há dois detalhes sugestivos, aqui. O escritório em questão é de Enrique Lewandowski. E o pai de Enrique é Ricardo Lewandowski, à época ministro da Justiça do governo Lula. Gaspar ironizou a abrupta interrupção dos serviços jurídicos do escritório no dia 22 de abril de 2025, véspera da operação da PF - subordinada, como se sabe, ao Ministério da Justiça. Vazamento?
Assim como Enrique, a CPI deverá interpelar Ricardo Lewandowski. Que, aliás, abandonou às pressas o cargo de ministro em 2025, deixando para trás outra questão, de natureza ética: os recebimentos mensais de R$ 250 mil que o escritório de sua família recebeu do famigerado Banco Master,
inclusive durante o período em que foi ministro da pasta que controla a Polícia Federal.
Terá, enfim, chegado o tempo da purgação nacional?

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