Ricardo Couto fará auditoria em contratos do estado com Credcesta e Banco Master, anuncia Luiz Paulo.
Fachada do Banco Master. — Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Deputado diz que governador em exercício editará decreto nos próximos dias após conversa por telefone; medida ocorre em meio à reação ao veto do projeto sobre o Credcesta.
A ofensiva do deputado estadual Luiz Paulo (PSD) em torno das operações do Banco Master com o estado do Rio parece ter surtido efeito. O governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, vai editar nos próximos dias um decreto determinando uma auditoria nos contratos relacionados ao Credcesta envolvendo servidores estaduais.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (29) pelo próprio deputado, que afirmou ter recebido a informação do próprio governador durante uma conversa por telefone no início da tarde. O Credcesta é um serviço do Banco Master que permitia aos servidores realizar gastos com cartão e pagar os valores por meio de descontos diretamente na folha.
Luiz Paulo vinha pressionando o Executivo por uma apuração dos contratos depois de Couto vetar integralmente o projeto de lei 7.726/2026, que previa a suspensão cautelar de descontos relacionados ao sistema do Master. O veto foi publicado na segunda-feira (28).
“Falei com o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, ao telefone agora há pouco. Ele me garantiu que vai editar um decreto, nos próximos dias, exatamente atribuindo ao Poder Executivo fazer uma profunda auditoria em todas essas operações, para que possa se escoimar aquilo que está direito daquilo tudo que é irregular e ilegal”, afirmou Luiz Paulo.
Auditoria após o veto.
A iniciativa anunciada por Luiz Paulo ocorre um dia depois de o parlamentar lançar uma ofensiva para tentar reverter o veto ao projeto de sua autoria. A proposta, aprovada anteriormente pela Alerj, alcançava operações de empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões-benefício e negócios vinculados ao Credcesta e ao Banco Master.
Ao vetar integralmente o texto, o governador argumentou, entre outros pontos, que cabe à União legislar sobre direito civil e política de crédito. O governo também citou jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a inconstitucionalidade formal de leis estaduais que suspendam descontos decorrentes de operações consignadas.
Após a publicação do veto, Luiz Paulo anunciou que buscaria apoio entre os deputados para derrubá-lo e que recorreria também ao Executivo e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em busca de auditorias sobre os contratos. Para o parlamentar, a decisão comunicada por Couto atende parcialmente ao objetivo que motivou a proposta.
“A decisão do governador resolve parcialmente o desejo do projeto de lei. O objetivo era justamente auditar esses contratos espúrios do Credcesta pelo Master”, declarou, informando ter protocolado no Palácio Guanabara o ofício LP 54/2026, solicitando formalmente uma “ampla e rigorosa auditoria” nas operações envolvendo o Master, o Credcesta e servidores estaduais.
Deputado cita Rioprevidência e Cedae.
Durante o pronunciamento, Luiz Paulo ampliou as críticas às relações mantidas pelo estado do Rio com o Banco Master e atribuiu responsabilidades ao governo de Cláudio Castro. O deputado também citou operações envolvendo o Rioprevidência e a Cedae.
“Isto é mais um grave problema que deixou Cláudio Castro com sua nefasta relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, vide que o Credcesta pertence ao Master. Fora as aplicações indevidas do Rioprevidência e Cedae feitas junto ao banco”, afirmou.
O deputado também afirmou que continuará acompanhando o tema até o encerramento de seu mandato, em fevereiro de 2027. “Essa auditoria é fundamental e o governador vai tomar o caminho correto de fazê-la. Vamos continuar vigilantes. Independentemente do resultado das urnas, o nosso mandato vai até 1º de fevereiro de 2027”, disse.
A Agenda do Poder acionou o Palácio Guanabara para confirmar o anúncio feito por Luiz Paulo e aguarda um posicionamento oficial do Governo do Estado sobre a edição do decreto e a realização da auditoria. Assim que houver manifestação do Executivo, esta reportagem será atualizada.
Urge a necessidade de auditar os descontos, pois, são visivelmente abusivos.


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