"Meu sócio é guloso, tá?"

"Mensagens extraídas do celular de Roberta Luchsinger mostram pressão sobre ex-subsecretário por R$ 100 mil, horas antes de Lulinha embarcar para Lisboa"

Quesede Ayres Henrique é um ex-subsecretário de Saúde de Goiânia que esteve foragido após ter sido alvo, em 2024, da "Operação Comorbidade", desencadeada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público goiano para desbaratar uma associação criminosa responsável pelo desvio de R$ 10 milhões na secretaria municipal. Quesede se entregou à polícia em dezembro de 2024, e nada disso atraiu a atenção dos brasileiros até vir a público, nesta semana, a conexão desse personagem com a lobista Roberta Luchsinger, que, como todos sabem, se apresenta orgulhosamente como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Mensagens que a polícia extraiu do celular de Roberta Luchsinger remetem a um momento tenso que ela viveu no dia 8 de novembro de 2024. "Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse Pix, porra, que o homem tá me cobrando, criatura." Intranquila com a demora no depósito, Roberta fez nova carga. "Fez? Ele vai embarcar e tá me enchendo o saco." Quesede tratou de providenciar logo a transferência de R$ 100 mil para a conta da empresa de Roberta, a Rizzo. Sabia com quem estava lidando. Em 2023, Roberta havia cobrado de Quesede outros pagamentos relativos a comissõesque reivindicava por seu "trabalho" de traficar influência para destravar verbas do Ministério da Saúde. Naquela época, justificou-se assim pelas somas exigidas: "Meu sócio é guloso, tá?".

Na mesma noite em que Roberta Luchsinger arrumou R$ 100 mil de Quesede para propiciar um embarque mais tranquilo ao "sócio guloso", em 8 de novembro de 2024, partia de Guarulhos, às 22h40min, o voo JJ 8148, da Latam, com destino a Lisboa. No assento 6J, de primeira classe ("premium business"), viajava Lulinha. No mesmo avião estava o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", que está preso por suas implicações no caso da roubalheira de aposentados e pensionistas da Previdência Social, uma megafraude que surrupiou mais de R$ 6 bilhões de idosos, doentes e vulneráveis.

"Careca" e o filho mais velho do presidente da República atuaram na prospecção de negócios envolvendo a distribuição, pelo SUS, de medicamentos à base de canabidiol, um derivado da planta de maconha. Roberta Luchsinger, que Lula alega desconhecer e a quem chamou de "pilantra" em rede nacional de TV, está em todos os jornais falando por intermédio de mensagens de celular em que aparece corrompendo, com presentes e mimos luxuosos, assessores diretos do presidente e inclusive o ex-número 2 do bilionário Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa.

Para você, e todos que pagam Darfs em dia, é deprimente saber de sacola e mala com R$ 500 mil que Roberta mantinha em casa, e acompanhar as orientações dela para que seu funcionário fizesse os "corres".

Um deles: levar "grana para o Fábio".

Eugênio Esber, jornalista.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Militares querem receber como policiais: veja o que o STF decidiu

Elon Musk cria site para expor ao mundo os “crimes de Moraes”

Especialista aponta o que estaria por trás de foto de Lula de sunga