NOTA DE FALECIMENTO: FUNERAL DA CONSTITUIÇÃO
O Brasil desperta em silêncio. Não é o silêncio comum das manhãs, mas aquele que pesa sobre os ombros de uma nação inteira. A dignidade e o caráter vestem preto, caminham cabisbaixos, e o país inteiro parece acompanhar um cortejo invisível.
Morre, aos 33 anos, a promissora Constituição da República Federativa do Brasil. Nascida em 05 de outubro de 1988, trouxe no berço a esperança de cidadania, ordem e justiça. Cresceu como filha querida, pedra fundamental de uma família chamada Brasil. Mas sua vida foi ceifada de forma trágica, não por inimigos declarados, mas por aqueles que deveriam protegê-la.
O Supremo Tribunal Federal, tutor a quem ela confiou sua existência. Esse traidor, com seus onze membros de togas, antes símbolos de proteção, tornaram-se sombras de covardia e algozes dessa jovem, que lhes confiou e depositou sua pureza e dignidade. A Carta lutou, esperneou, resistiu, mas tombou mortalmente violada e estuprada por seus algozes. Sua morte não é apenas a de um texto jurídico: é o sepultamento da confiança, da esperança e da promessa de um futuro justo e igualitário.
Hoje, restam apenas condolências e pesares. Aos brasileiros que nela confiavam, cabe o luto. O país chora sua filha mais importante, aquela que deveria garantir dignidade e caráter. O caixão é invisível, mas o vazio é real.
E assim, em 26 de novembro de 2025, a Constituição é velada não em mármore ou bronze, mas na memória de um povo que acreditou ingenuamente naqueles que prometeram protege-la. O cortejo segue, silencioso, e cada brasileiro carrega em si a dor de ter perdido não apenas uma Carta, mas o sonho de um futuro promissor, justo, igualitário e protegido pelo devido processo legal.
Por Lug Maia

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