Respeito máximo ao Zezé di Camargo
Zezé di Camargo protagonizou um dos maiores gestos simbólicos já vistos na guerra cultural. O cara deslegitimou a ditadura de Moraes com um vídeo de 3 minutos perante uma plateia de milhões de pessoas fora da bolha da direita.
A comunicação que ele usou foi genial. Não atacou ninguém, não foi agressivo, não usou vocabulário político (“Magnitsky”, “ditadura”, “perseguição”, etc). A mensagem chegou, sem ruídos, a um público não militante, pouco ou nada ideologizado, que até então não havia se dado conta de que havia um problema sério acontecendo no país.
O SBT agiu da forma mais infame possível tratando Moraes como celebridade. É comum políticos participarem de inaugurações de toda sorte, mas não ministros do STF. Moraes não foi apenas convidado: o sujeito recebeu palco, holofotes e aplausos. Espetáculo deprimente.
Embora Silvio Santos tenha dito que o SBT sempre está com o governo (pois este é o dono da sua concessão), tenho sérias dúvidas sobre se ele embarcaria nessa canoa furada. Moraes não detém a concessão do SBT, é só um amiguinho de ocasião do governo mesmo.
Zezé conseguiu aumentar o custo de se endossar uma aberração moral. A bajulação, agora, ficou mais cara.
Quando um artista como Zezé marca essa posição, a normalização do poder é interrompida. Ele quebra aquela aura de unanimidade. Outros artistas vão passar a considerar o custo reputacional de associar sua imagem à de um ditador.
Esse episódio é um típico exemplo do que Gene Sharp considerava como medidas não violentas para o confronto de ditaduras.
Respeito máximo ao Zezé di Camargo 

Postura digna e à altura de sua posição cultural no país. O vídeo dele deve ser compartilhado à exaustão.


Postura digna e à altura de sua posição cultural no país. O vídeo dele deve ser compartilhado à exaustão. @zcloficial



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