A saída não é o aeroporto. É o senado.

A saída não é o aeroporto. É o senado.

"Se o Brasil não eleger um Senado altivo, o favorito para ganhar a eleição é o STF".

Boa parte dos leitores que me escrevem confessa seu desalento com a justiça brasileira e, particularmente, com uma suprema corte que, no dizer dos mais indignados, solta corruptos, prende inocentes, é leniente com a delinquência e particularmente com o crime organizado. A tônica destes desabafos é a normalização de absurdos, como o contrato de R$ 129 milhões firmado pelo Banco Master com a esposa do ministro Alexandre de Moraes, e os negócios de outro ministro, Dias Toffoli, com fundos ligados ao controlador do Master, Daniel Vorcaro, ora sob investigação da Polícia Federal.

A contundência das manifestações é maior contra Moraes, que, diferentemente de Toffoli, defende-se atacando seus críticos e intimidando, de modo oblíquo, jornalistas que lançam luzes sobre o contrato que escandalizou o país e que permanece inexplicado há mais de dois meses. É possível que a transação, suficiente para enriquecer várias gerações, seja inscrita no livro dos recordes de honorários advocatícios, ou de lobby, antes que Moraes tome coragem para vir a público dizer algo que faça sentido aos brasileiros que pagam seu salário de R$ 46 mil como ministro do STF.

Quem vai parar Alexandre? É a pergunta mais comum daqueles que admitem a vontade de largar tudo e procurar um país em que a lei seja o refúgio da virtude e da integridade. Eu me entristeço com a desolação geral de quem sente que carrega nas costas uma casta de corruptos. Mais do que tristeza, sinto impotência de não poder apontar uma única instituição que esteja em pé quando a instância mais alta do Judiciário acoberta claríssimos desvios de conduta de alguns de seus integrantes. Mas não deixo de lembrar que, em outubro, se as eleições forem livres e justas, o povo poderá eleger um Senado com estatura moral suficiente para não entronizar, na presidência, uma figura como Davi Alcolumbre, que tem engavetado todos os pedidos de impeachment movidos contra membros do STF, ainda que fundamentados em acusações graves. É o caso da denúncia de fraude processual que, segundo o ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro, o ministro cometeu ao tempo que presidia o Tribunal Superior Eleitoral, em 2022.

Compreendo que todos pensem na eleição para presidente, mas, insisto, não é esta a prioridade. Se o Brasil não eleger um Senado altivo, o favorito para ganhar a eleição é o STF, seja governando com Lula e o petismo, seja obstaculizando uma gestão de Flávio Bolsonaro.

A quem deseja uma ruptura com o supremacismo jurídico-político exercido pelo Supremo Tribunal Federal, o caminho é um só: apoiar candidatos ao Senado que não tem interesse em fazer média com a juristocracia nem estão buscando favores, ou proteção, nas cortes superiores.

Eugenio Esber, jornalista

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