Orelha: O mal, o mau e toda a maldade
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Se o cachorrinho Orelha, que foi covardemente atacado, fosse um cão mau, talvez pudéssemos entender o que fizeram com ele. Mas, na verdade, como a imensa maioria dos caninos, Orelha era um meninão alegre, simpático e bom. Muito bom.
Pode ser que, a partir da minha afirmação, você questione: “Mas, Verônica, você conheceu o Orelha?” Não, não conheci. Não tive esse privilégio. No entanto, lendo um pouco sobre essa história, deduzo que ele era um bom garoto, um bom rapaz; um bom cachorro, como nós, que amamos bichinhos, costumamos dizer. Aliás, Orelha não saiu da minha cabeça a semana inteira… de verdade, tudo isso me trouxe uma profunda tristeza.
Bem… pela minha introdução você, leitor, já entendeu que faço coro com todos aqueles que se indignaram com os maus-tratos sofridos por um cão comunitário; ou seja, um animal que deveria ser amado e cuidado por todos.
Orelha já contava com certa idade, possivelmente não tinha a energia dos filhotes, mas seu olhar, nas fotos, não mente: ele era doce, confiado, manso. Infelizmente, machucar um animal assim fala muito mais sobre os agressores do que sobre o cachorro em si.
Desse triste episódio podemos tirar muitas lições. Analisar outras tantas… mas, como o tema da nossa conversa é o bom português, quero me deter em algo que parece pequeno, mas não é: as palavras que usamos para nomear a maldade. Porque não se trata apenas de um cachorro bom que sofreu maus-tratos. Trata-se também de entender por que dizemos mau e não mal; e por que o termo maus-tratos não é a mesma coisa que maltratar.
Nossa língua, aliás, é mais lógica do que imaginamos. No caso de mau e mal, basta observar os opostos. Mau é adjetivo, uma qualidade, e faz par com bom. Se a palavra puder ser substituída por bom, não há dúvida: o correto é mau. Por isso dizemos, sem hesitação, que Orelha não era um cão mau. Ele era bom.
Já mal; às vezes é substantivo, outras é advérbio; mas sempre se opõe a bem. Indica modo, estado ou resultado. Se a troca por bem funciona, então estamos diante de mal. Orelha foi tratado mal. Muito mal. Porque, claramente, não foi tratado bem.
A confusão também aparece entre maltratar e maus-tratos. Maltratar é verbo, é ação. Alguém maltrata. Maus-tratos é substantivo: o nome da violência, aquilo que fica depois que o verbo se concretiza. Detalhe, é sempre usado no plural e com hífen. No caso de Orelha, infelizmente, tivemos os dois: ele foi maltratado e vítima de maus-tratos.
Sim, eu sei… errar entre mal e mau acontece. É comum; humano. Agora, errar na humanidade, isso não pode ser aceitável. Porque palavras importam, sim; mas atitudes importam muito mais.
Orelha precisava apenas do que todo animal deveria receber: cuidado, respeito e proteção. O resto, como vimos, é mal. Horrivelmente mal.
Um abraço e até a próxima!
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