Samba do economista doido

 

Em tempos de carnaval, cabe lembrar uma alegoria que fez o mundo rir do Brasil. Em 2024, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Márcio Pochmann, lançou um mapa em que o Brasil aparecia no centro do mundo. Orgulhoso da peça, Pochmann justificou o delírio como reflexo do "reposicionamento" do Brasil no mapa-múndi, a expressão de nossa importância em uma era de emergência do " Sul Global".

As piadas e memes não o detiveram. As piruetas cartográficas prosseguiram com a divulgação de um mapa-múndi invertido em que o Sul ficava no alto, o Norte aparecia embaixo e o Brasil resplandecia ao centro, como se fosse o umbigo do planeta, distinção devida ao fato de que seria o país-sede da COP30, a conferência de clima da ONU, de patético desfecho, aliás. Impassível diante das críticas ao que se poderia chamar de um samba do economista doido, Pochmann sustentou que colocar Belém e o Brasil no centro do mapa-múndi "é também um ato propositivo de descolonização cognitiva".


Não se sabe onde tudo isso vai dar, mas os sinais preocupam. É sob a condução de Pochmann que o IBGE está prestes a anunciar uma de suas revisões do ano-base do PIB brasileiro. A cada período de dez anos, a fotografia econômica do Brasil é atualizada para refletir os pesos dos diferentes setores sobre o Produto Interno Bruto, PIB, um indicador-chave adotado globalmente para medir o tamanho e o dinamismo de uma economia.


Até aqui, o setor de Contas Nacionais do IBGE, responsável pelo cálculo do PIB, trabalhou com o retrato do Brasil de 2010, mas está por divulgar os achados de sua revisão estatística orientada pelo ano-base de 2021. Nada de novo sob o sol, se estivéssemos em condições normais de temperatura e pressão. Mas o tédio não tem vez na gestão de Pochmann, cujo currículo inclui uma estrepitosa passagem pela presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) nos governos Lula e Dilma e duas malogradas candidaturas a prefeito de Campinas. Em agosto de 2023, estava alojado na presidência do Instituto Lula quando foi chamado a ajudar o governo que recém começava. Missão: assumir o comando do grande laboratório de estatísticas do Brasil.


É este IBGE impregnado do tal intuito de "descolonização cognitiva" que acaba de sofrer mais um engasgo de credibilidade ao afastar Rebeca Palis, servidora de carreira há mais de 20 anos, do posto de coordenadora do Setor de Contas Nacionais do IBGE. Não houve satisfações sobre o porquê do afastamento de uma especialista de larga experiência - ainda mais em um momento sensível, quando as novas bases de mensuração do PIB estão para sair do forno.

Todo apoio aos esforços do respeitável corpo técnico do IBGE em sua cruzada para resguardar a credibilidade.


Que a boa estatística não caia na folia.

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