A corja de toga
Os monstros do STF não nos assustam — nos envergonham. O caso Master escancarou isso com uma clareza quase cruel. Quando os fios da investigação começaram a subir, vieram as decisões cautelares, as suspensões estratégicas, os limites processuais. Gilmar, Toffoli, Alexandre — sempre a técnica impecável, sempre a Constituição invocada como escudo. E, ainda assim, a sensação de que o topo jamais é realmente alcançado.
Não é sobre um banco apenas. É sobre o mecanismo. Quando o poder é tangenciado, a engrenagem se fecha. Quebras de sigilo viram excessos, CPIs viram abusivas, perguntas viram ameaças institucionais. Tudo muito fundamentado. Tudo muito formal. E tudo estranhamente previsível. A corrupção sistêmica não precisa rasgar a lei; basta interpretá-la até que ela sirva perfeitamente aos de sempre.
E no fim o país entende o recado: não se trata de erro, mas de proteção. A corja não entra em pânico — ela se reorganiza. Fecha fileiras, troca votos, assina decisões, e chama isso de estabilidade institucional. O escândalo passa, os nomes permanecem, e o sistema segue intacto, eficiente na única coisa que realmente nunca falha — proteger a si mesmo.


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