Forças Armadas despencam em confiança no Brasil, ficam entre as instituições mais rejeitadas e acendem alerta sobre desgaste diante dos brasileiros

 

Levantamento nacional divulgado em março revela um retrato incômodo da imagem das instituições brasileiras, com forças policiais em alta, centros tradicionais do poder sob forte desgaste e um ranking que expõe mudanças importantes na percepção pública sobre confiança e rejeição.


A confiança do brasileiro nas instituições costuma oscilar conforme crises políticas, escândalos, decisões judiciais e disputas de poder ocupam o centro do noticiário.


Mas, de tempos em tempos, uma pesquisa reúne esses sentimentos dispersos e revela, em números, quais órgãos saem fortalecidos e quais enfrentam maior desgaste diante da opinião pública.

Segundo a CartaCapital, com base em levantamento AtlasIntel/Estadão divulgado em 20 de março de 2026, a Polícia Federal aparece como a instituição que mais desperta confiança entre os brasileiros, enquanto o Congresso Nacional registra o maior índice de desconfiança e as Forças Armadas figuram entre os piores resultados do ranking.

De acordo com a pesquisa, 56% disseram confiar na Polícia Federal, 15% responderam “não sei” e 30% afirmaram não confiar, enquanto o Congresso Nacional teve 86% de desconfiança, 9% de confiança e 6% de indecisos.

No mesmo levantamento, as Forças Armadas somaram 27% de confiança, 13% de “não sei” e 60% de desconfiança, ficando entre as instituições com percepção mais negativa no país.

O que mostra o ranking

Os dados divulgados pela AtlasIntel/Estadão mostram um retrato amplo da confiança nas instituições brasileiras em março de 2026.

Além da Polícia Federal, também aparecem com bons índices a Polícia Civil e a Polícia Militar, ambas com 55% de confiança, seguidas pela Igreja Católica, com 49%, e pelo Banco Central, com 45%.

Na faixa intermediária estão o Tribunal Superior Eleitoral, com 42%, e as igrejas evangélicas, com 39%.

Mais abaixo aparecem o governo federal e as prefeituras, ambos com 35%, além do Supremo Tribunal Federal, também com 35%, e dos governos estaduais, com 34%.

Na parte mais baixa da lista, o levantamento coloca Exército e Forças Armadas com 27% e, por último, o Congresso Nacional com apenas 9% de confiança.

O contraste chama atenção porque coloca as forças policiais no topo e empurra instituições tradicionalmente associadas ao centro do poder político para os piores níveis da tabela.

O Congresso aparece como o órgão mais desacreditado do ranking, com o maior percentual de desconfiança da série histórica iniciada em janeiro de 2023, segundo a CartaCapital.

Como a pesquisa foi feita



Segundo a CartaCapital e materiais da própria AtlasIntel/Estadão, o levantamento ouviu 2.090 brasileiros adultos entre os dias 16 e 19 de março de 2026.

As entrevistas foram realizadas pela internet, por meio de Recrutamento Digital Aleatório, metodologia usada pelo instituto em suas pesquisas nacionais.

A margem de erro informada foi de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Esse detalhe é importante porque ajuda a situar o tamanho da amostra e a forma de coleta dos dados.

Em levantamentos desse tipo, os percentuais mostram um retrato do momento da pesquisa, e não uma fotografia permanente da imagem institucional.

Ainda assim, o material divulgado pela AtlasIntel sugere uma mudança relevante no humor do eleitorado em relação a parte do sistema político e de órgãos de Estado.

O impacto sobre o STF



A pesquisa também revelou desgaste expressivo do Supremo Tribunal Federal.

No ranking geral de instituições, o STF aparece com 35% de confiança6% de “não sei” e 59% de desconfiança, índice que o coloca entre os resultados mais negativos do levantamento.

Além disso, a AtlasIntel/Estadão divulgou um recorte específico sobre a imagem dos ministros da Corte.

Segundo a CartaCapital e a CNN Brasil, Dias Toffoli foi o ministro com maior rejeição, com 81% de imagem negativa, enquanto Gilmar Mendes apareceu com 67%Alexandre de Moraes com 59%Cristiano Zanin com 55% e Edson Fachin com 53%.

A CartaCapital associou essa deterioração à repercussão do chamado Caso Master, que coincidiu com a queda da confiança no Supremo em relação à rodada anterior.

A CNN Brasil também informou que 60% dos brasileiros disseram não confiar no STF e nos ministros, reforçando o ambiente de desgaste institucional medido na sondagem.

Por que a Polícia Federal aparece na frente

O dado mais curioso do ranking é justamente o topo da lista.

A Polícia Federal, que em outros momentos já ocupou posição de destaque no imaginário político do país, voltou a liderar a confiança institucional com 56% de respostas positivas.

Embora a pesquisa não investigue diretamente as causas da percepção, o resultado pode ser lido como sinal de que parte expressiva da população continua associando a PF a funções de fiscalização, combate ao crime e atuação técnica de Estado.

Na mesma lógica, o bom desempenho da Polícia Civil e da Polícia Militar sugere que os órgãos ligados à segurança pública aparecem, neste momento, mais bem posicionados do que os centros tradicionais da política institucional.

Isso não significa ausência de críticas a essas corporações.

Significa apenas que, dentro do conjunto de instituições avaliadas, elas obtiveram os índices de confiança mais altos nesta rodada específica do levantamento.

O tombo das Forças Armadas



Um dos números que mais chamam atenção é o desempenho do bloco identificado no gráfico como “Exército e Forças Armadas”.

Com 27% de confiança e 60% de desconfiança, o grupo aparece muito abaixo de órgãos como Polícia Federal, Banco Central e Tribunal Superior Eleitoral.

Esse resultado tem peso político porque as Forças Armadas ocuparam espaço central no debate público brasileiro nos últimos anos.

A presença mais constante em discussões sobre democracia, eleições, governo e papel institucional ajudou a expor a imagem dos militares a um nível de escrutínio maior do que em períodos anteriores.

A pesquisa não detalha os motivos da desconfiança, mas o dado confirma que a percepção negativa continua elevada nessa área.

O Congresso no último lugar

Se a queda das Forças Armadas chama atenção, o caso do Congresso é ainda mais contundente.

O Legislativo nacional aparece no fim da tabela com apenas 9% de confiança e 86% de desconfiança, resultado que, segundo a CartaCapital, representa o pior patamar da série histórica iniciada em 2023.

O índice ajuda a medir o tamanho do desgaste da representação política formal diante da opinião pública.

Em um ambiente de polarização, negociações pouco transparentes, embates sobre orçamento e crises recorrentes entre Poderes, o Congresso volta a surgir como a instituição menos confiável aos olhos dos entrevistados.

Revista Sociedade Militar

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