Vorcaro e a lei da máfia
"Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal." A mensagem de Daniel Vorcaro para a namorada tem a amplitude e a imprecisão próprias de um desabafo - afinal, nem todo banqueiro é mafioso, ainda que as relações do sistema financeiro brasileiro com o poder peçam, e há muito tempo, um escrutínio sério.
Outro reparo que faço à afirmação é que o crime organizado se infiltra em muitos outros segmentos, como mostrou a Operação Carbono Oculto, pela qual a Polícia Federal acabou expondo negócios suspeitíssimos entre a família do dono do Banco Master e a família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Mas não contesto o núcleo do raciocínio de Vorcaro. Da Máfia ninguém sai bem. E uma das leis mais implacáveis impostas a mafiosos é a omertà, o código de silêncio, diante do qual quem ousa entregar seus companheiros recebe a pena de morte.
Desde o início de dezembro, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, não ousa abrir a boca para contar a verdade sobre a fortuna de R$ 129 milhões que o Banco Master se comprometeu a pagar para sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, em contrato firmado em 2024. O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), tentou convocar ou pelo menos convidar Viviane a se explicar, e requereu também a quebra do sigilo fiscal, financeiro e telemático do escritório da família Moraes, mas foi barrado por uma articulação política da base parlamentar do governo Lula.
Na última quarta-feira, Daniel Vorcaro voltou a ser preso, já sob as ordens do ministro André Mendonça, que herdou a relatoria do caso Master, antes entregue despudoradamente a Toffoli. Livre das pressões de Toffoli, a Polícia Federal avança rapidamente nas investigações e dá publicidade a seus achados, como as ordens de Vorcaro para agredir um jornalista, subornar ou perseguir sites de informação e invadir sistemas eletrônicos da polícia e da Justiça, entre outras barbaridades. Mas quem termina a semana sem dentes não é o colunista Lauro Jardim, alvo da cólera do ex-dono do Master, que encomendou seu espancamento. É Moraes.
Graças a revelações da jornalista Malu Gaspar, descobriu-se que no dia em que foi preso pela primeira vez, 17 de novembro, Vorcaro trocou mensagens e telefonemas com Alexandre de Moraes desde as primeiras horas da manhã. No final da tarde, já sabedor da ordem de prisão que a Justiça Federal havia emitido contra ele, Vorcaro fez o seguinte e inacreditável apelo a Moraes.
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Moraes negou a conversa. Malu publicou, então, os prints. Moraes calou.
Aposta-se que Vorcaro fará delação. Para valer, precisará delatar alguém que esteja acima dele na organização criminosa.
Quem será?



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