Chávez, Lula e o diesel

Sob o sol abrasador que fazia em 16 de dezembro de 2005 no litoral sul de Pernambuco, estado natal de Lula, o presidente brasileiro recebeu Hugo Chávez, o fundador do regime bolivariano que submeteria os venezuelanos a uma longa e brutal ditadura comandada por seu sucessor, Nicolás Maduro .

A razão para o encontro bilateral de 2005 era o lançamento das obras de construção de uma refinaria novinha em folha no nordeste do Brasil: 60% do investimento caberia à Petrobras e 40% à estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Abraços, apertos de mãos, discurseira sobre integração latino-americana... Tudo parecia perfeito e encaixado - até o nome da Refinaria, Abreu e Lima, homenageando um intelectual e militar pernambucano que lutou com Simón Bolívar na guerra de libertação da Venezuela.


Mas nos anos seguintes Chávez negaceou e caiu fora do empreendimento. Caracas não gastou um único bolivar venezuelano na refinaria. A PDVSA, que estampava em sua sede a inscrição Pátria, Socialismo o muerte, praticamente "se murió". Está hoje moribunda, incapaz de explorar petróleo no país que detém as maiores reservas do planeta. Chávez morreu. Maduro está preso nos EUA, com sua mulher, acusado de chefiar um cartel de narcoterrorismo. E Lula...

Lula está no poder culpando o ataque de Trump ao Irã pela disparada do preço do diesel que o Brasil precisa importar em larga escala porque só consegue refinar 70% do seu óleo, embora seja grande exportador de petróleo bruto. Contei aqui, semana passada, como o Brasil torrou 100 bilhões de dólares sob Lula e Dilma (2003-2015) para aumentar a capacidade de refino em apenas 20%.


Enganado por Chávez, o Brasil, sob Dilma, resolveu tocar a Refinaria Abreu e Lima por conta própria. O projeto, orçado inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, engoliu cerca de 20 bilhões de dólares, e ainda assim está operando apenas parcialmente. Por padrões internacionais, os 130 mil barris diários de refino que Abreu e Lima agregou tiveram um custo mais de 5 vezes superior ao razoável.


O resto da história todos sabemos. É o escandaloso acervo de provas de corrupção revelado pela Operação Lava Jato, é o STF varrendo a imundície dos propinodutos para baixo do tapete e, a cada guerra lá fora, preços de diesel e gasolina explodindo na bomba enquanto você enche o tanque para se precaver de algo pior - a escassez de combustível.


Este breve registro histórico é destinado aos brasileiros distraídos, ou esquecidos, e aos brasileirinhos que voltam da escola dispostos a arrasar no almoço de domingo com recém adquiridos argumentos de "soberania" e de vilanização de Donald Trump.


Cegueira preocupante. Mas, como disse certa vez Augusto Nunes, ex-diretor de Redação de Zero Hora, a verdade desmaia, mas não morre.


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