Em nota, governo Lula defende a “soberania” e critica EUA
Ação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump foi chamada de "deplorável".
O governo federal divulgou nesta sexta-feira (29) uma nota em que classificou como “deplorável” a atuação de integrantes da família Bolsonaro em interlocução com o governo dos Estados Unidos após a inclusão do PCC e do Comando Vermelho em uma lista de organizações terroristas estrangeiras.
No comunicado, o Palácio do Planalto afirmou que o Brasil combate permanentemente facções criminosas e milícias, mas criticou tentativas de envolver autoridades estrangeiras em temas internos do país.
– É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país – diz trecho da nota.
O texto também afirma que o governo brasileiro considera as facções criminosas como responsáveis por espalhar terror nas comunidades, mas faz distinção entre esses crimes e atos ligados ao terrorismo internacional.
– O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional – declarou o governo.
A nota ainda acusa “falsos patriotas” de tentar manipular politicamente o tema da segurança pública.
– A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos – afirma outro trecho.
O governo ainda destacou ações recentes de combate ao crime organizado, incluindo a aprovação de uma lei contra facções e milícias com penas que podem chegar a 80 anos de prisão.
Segundo o comunicado, o Brasil mantém cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado e apresentou aos Estados Unidos, em abril deste ano, uma proposta de parceria voltada ao combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
Apesar disso, o Planalto afirmou que rejeita interferências externas em assuntos internos do país.
– A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança – conclui a nota.
Leia na íntegra:
O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.



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