O oligarca brasileiro

Nesta quinta-feira (7) Lula teve, enfim, o tão adiado encontro com Donald Trump. Segundo a agência Reuters, quem teria convencido Trump a receber o brasileiro em meio ao impasse do conflito com o Irã foi o empresário Joesley Batista, o mesmo que, meses atrás, sob licença de Washington, atravessou incólume o fechamento do espaço aéreo venezuelano para tentar alguma barganha com o acuado ditador Nicolás Maduro, hoje preso nos EUA.

Se você não sabe, ou anda esquecido, Joesley e seu irmão menos saliente, Wesley, são os controladores do Grupo J&F, cujas iniciais homenageiam os pais deles, José Batista, o Zé Mineiro, que fundou um modesto açougue em Goiás, em 1953, com a ajuda da esposa, Flora. A empresa da família até progrediu nos anos 90, mas só se tornou uma potência internacional no ramo de carnes quando Lula abriu o longo ciclo de governos petistas a partir de 2003. O delírio lulopetista de abrir as portas do governo e os cofres do BNDES para forjar "campeões nacionais" - chamados pela oposição de "amigos do rei" - deu em um grande fracasso no ramo das telecom, a falecida Oi, até hoje um nome que constrange a ala salvável do PT por expor negócios malcheirosos envolvendo o filho de Lula, Fábio, o " Lulinha". Que, por sinal, está na mira das investigações da Polícia Federal por sua relação com o lobista conhecido como "Careca" do INSS, hoje na prisão.

Com Joesley e o grupo J&F, porém, a aposta megalomaníaca de Lula vingou. O clã Batista é dono da maior fatia de mercado de carne bovina nos EUA, e no frango está perto de cantar de galo, também. Esperto, Joesley tenta, com Trump, algo que funcionou com Lula: ser amigo do rei. Foi ele quem fez a maior doação individual, US$ 5 milhões, para bancar a festa de posse do "amigo" Donald. Funcionou. Mas só em parte, porque os Estados Unidos não são o Brasil. Esta semana, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, disse que vai de vento em popa uma investigação antitruste no mercado de carnes dos EUA e apontou o dedo para a JBS USA (J&F).

Uma empresa brasileira, fulminou Brooke, "detém cerca de 25% do mercado e tem um histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas".

Tratarei deste histórico na semana que vem por ser um tema relevante. Dado que Trump vê corpo mole do governo Lula no combate ao crime organizado, especialmente ao PCC, hoje uma multinacional brasileira com operação em 18 estados norte-americanos, o Brasil está sob risco de sofrer sanções duríssimas.

E, nesta seara nebulosa, Joesley, o oligarca brasileiro construído nos governos Lula e Dilma, é figura de proa.

Ele e quem embarcou em sua nau.

Eugênio Esber

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