Lula para Trump: “Não se meta nas eleições do Brasil”; assista

Presidente ainda comentou a relação do republicano com Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quarta-feira (17), declarações do mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, dadas na Cúpula do G7, na França. Lula afirmou que o republicano deve respeitar o Brasil e exigiu que o governo americano não interfira nas eleições do país.

O petista falou sobre a relação entre Trump e a família Bolsonaro e pediu que o norte-americano não interfira nas eleições brasileiras.

— Por mim, ele [Trump] pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele; afinal, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles, não meu. Única coisa que quero é respeito pelo Brasil como o que tenho pelos Estados Unidos, só isso — afirmou.

Antes do pronunciamento, Trump classificou o Brasil como politicamente perigoso e confuso. O americano afirmou erroneamente que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria sido preso após condenação pelo STF, mas o político brasileiro não foi detido pelas autoridades.

— Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e soube que prenderam Eduardo Bolsonaro (sic). Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prender. Eles estão tramando algo — disse Trump.

Ao comentar a declaração sobre o sistema político, Lula afirmou que Trump conhece pouco o Brasil. O presidente brasileiro defendeu a eficiência das urnas eletrônicas e declarou que os Estados Unidos deveriam aprender com o modelo de votação utilizado no país.

— Os EUA poderiam aprender com o Brasil, ter eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha sistema de urna eletrônica como o nosso, que, duas horas após terminarem as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados. A gente não fica como no século passado com voto no papel, com uma lista com 500 nomes — afirmou.

Lula também criticou as taxas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e a inclusão de facções nacionais em listas terroristas. O petista classificou a ação como um desaforo e afirmou que Trump agiu como imperador, mas manteve a expectativa de novas negociações.

— Acho que o que ele [Trump] fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. Por isso disse que ele ainda está agindo como imperador. (…) Fico na expectativa de que vamos negociar, apesar do rompante deles com relação ao Brasil — afirmou.

As declarações de Lula ocorreram em uma entrevista coletiva, em Genebra, na Suíça, após os compromissos relacionados à Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França.

Assista trecho da entrevista de Lula:


Pleno News

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