A diplomacia brasileira virou várzea
"Entre adiamentos e bravatas, o Planalto colhe o preço de não negociar com Washington".
Na madrugada de quinta-feira (16.7), o homem forte do governo de Donald Trump, Marco Rubio, escreveu em sua conta na rede social X (ex-Twitter) a razão que levou o presidente norte-americano a determinar ao escritório de comércio (USTR) a imposição de uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos que o Brasil vende aos Estados Unidos. "Que não haja dúvida sobre o motivo", digitou Rubio, em tradução livre. "O presidente Lula e seu governo não negociaram de boa fé com os Estados Unidos."
O secretário de Estado dos EUA não é um tipo qualquer, como desdenhou Lula recentemente ao se referir ao descendente de exilados cubanos como "o tal do Marco Rubio" e chamá-lo de "latino-americano frustrado". Rubio é para muitos analistas o nome mais cotado para ser o escolhido de Trump na campanha para sua sucessão em 2028, à frente inclusive de J.D. Vance, atual vice-presidente dos EUA e nome de prestígio no Partido Republicano.
Rubio diz que governo brasileiro não negociou "de boa-fé" com os EUA: "Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo"
Saiba quais dos produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar sobretaxa de 25%.
Significa dizer que o cenário sombrio trazido para empresas e empregos brasileiros com as medidas anunciadas esta semana pode ainda se agravar, e muito. Num eventual novo mandato, Lula poderá sair da alçada de Trump, que o considera um sujeito volúvel, e cair nas mãos de Rubio, que o tem na conta de um fanfarrão. "No último ano", escreveu Rubio no X, "Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo em benefício do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço disso."
De fato, enquanto dezenas de países acusados de prática desleal de comércio com os EUA procuram Washington para negociar, Lula, em termos práticos, fez o que no futebol fazem jogadores que não querem jogo. Levou a bola para a bandeirinha do escanteio, à espera de uma falta ou confusão. Desde 15 de julho de 2025, quando foi aberta a investigação contra o Brasil com base na chamada "Seção 301" da lei de comércio dos EUA, Lula reclamou, negaceou, procrastinou e, sobretudo, entregou-se à delícia de dirigir provocações a Trump, a última delas relacionada a dentaduras (sim, isso mesmo).
A estratégia de Lula é simples: vilanizar Trump e, com isso, explorar na campanha eleitoral o antiamericanismo infantil de brasileiros que não sabem, ou fingem não saber, que os Estados Unidos são, de longe, a maior fonte de investimento estrangeiro no Brasil, e o maior cliente de produtos de maior valor agregado que o país exporta. Se, para ganhar a eleição for preciso expor os trabalhadores, paciência. É a volta do bordão petista "A economia a gente vê depois." Depois da eleição, claro.
Mas não é má-fé, apenas. É incompetência, também. As barreiras comerciais impostas ao Brasil pela União Européia e pela China estão aí, ceifando negócios e empregos. E o governo, atônito, não tem o que dizer, ou alegar.
A diplomacia brasileira, sob Lula, virou várzea.


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