Daniel Ortega descarta novas eleições na Nicarágua e promete endurecer leis contra oposição
Por Junior Melo
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou neste domingo (19) que não pretende realizar novas eleições no país e prometeu reforçar a legislação para impedir o retorno da oposição ao poder. A declaração ocorre em meio a um cenário de críticas internacionais sobre a situação da democracia e das liberdades civis no país.
Durante um discurso, Ortega afirmou que os grupos opositores permanecem “à espreita” e disse que grande parte de seus integrantes vive atualmente no exílio. O presidente também acusou os adversários políticos de tentarem desestabilizar o governo.
Governo promete novas leis
O mandatário anunciou que a Assembleia Nacional, controlada por aliados do governo, irá trabalhar na aprovação de novas leis voltadas ao combate do que classificou como “golpistas” e “traidores da pátria”.
Segundo Ortega, a intenção é criar um “muro” legislativo para impedir que opositores voltem a atuar politicamente no país.
Durante o pronunciamento, o presidente também acusou os Estados Unidos de apoiar financeiramente seus adversários. “Por mais dinheiro que os ianques lhes deem, não conseguirão”, declarou.
Críticas à democracia
Daniel Ortega, de 80 anos, está no poder desde 2007, após já ter governado a Nicarágua entre 1979 e 1990, período que sucedeu a Revolução Sandinista.
Nos últimos anos, seu governo tem sido alvo de críticas de organizações internacionais e de governos estrangeiros, que apontam restrições às liberdades políticas, perseguição a opositores, prisões de adversários e falta de transparência nos processos eleitorais.
A oposição, por sua vez, denuncia há anos a ocorrência de fraudes eleitorais e afirma que não há condições para uma disputa democrática no país. Muitos líderes oposicionistas deixaram a Nicarágua após a intensificação da repressão política.
Com a declaração de que não pretende convocar novas eleições e o anúncio de medidas para endurecer a legislação contra adversários, o governo sinaliza a manutenção da atual estrutura de poder no país, em um contexto de crescente isolamento internacional e de questionamentos sobre o funcionamento das instituições democráticas nicaraguenses.



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