Fim de Copa

Acabou a Copa. As bandeiras começam a desaparecer das janelas, as camisas voltam para o guarda-roupa, os gritos cessam e a realidade, essa velha conhecida, bate novamente à porta.

Mas não consigo deixar de fazer uma pergunta: perdemos. É fato. Mas perdemos exatamente o quê?

Uma taça.

Nada mais.

Ninguém perdeu a mãe, o pai, um filho ou um amigo. Ninguém perdeu a própria vida. Mesmo assim, vi homens feitos chorando desesperadamente, arrancando os cabelos, abraçando-se como se o mundo tivesse chegado ao fim.

Confesso que isso me intriga.

Onde estão essas mesmas lágrimas quando a nossa liberdade é ameaçada? Onde está essa mesma indignação quando direitos fundamentais são colocados em risco? Onde está essa mesma paixão quando o futuro de nossos filhos e netos é decidido?

Ali, o silêncio parece ensurdecedor.

Talvez algo tenha mudado dentro de mim. Antigamente eu vibrava, sofria, comemorava. Hoje, sinceramente, tanto faz ganhar quanto perder uma Copa do Mundo. Não senti euforia nas vitórias nem tristeza na derrota. Descobri que meu patriotismo nunca esteve preso ao placar de uma partida.

Amar o Brasil não é torcer noventa minutos diante de uma televisão.

Amar o Brasil é defender sua história, sua Constituição, sua liberdade, sua soberania e o direito de seu povo viver sem medo.

Durante algumas semanas, o país inteiro esqueceu seus problemas. Houve pão, cerveja barata, festas e distração. O velho espetáculo cumpriu seu papel. Agora o circo desmontou. As luzes se apagaram. A música terminou.

E a realidade continua exatamente onde estava.

As dificuldades não desapareceram com um gol, nem voltarão por causa de uma derrota.

Se conseguíssemos dedicar apenas metade da energia que gastamos discutindo futebol para defender nosso país, talvez o Brasil fosse outra nação.

Chega de arquibancada.

Chega de viver apenas de emoções passageiras.

É hora de vestir uma camisa muito mais importante do que a de qualquer seleção: a camisa do Brasil.

Porque troféus enchem estantes.

A liberdade constrói gerações, e esta, quando perdida, não se recupera nos pênaltis.

Texto extraído da internet.

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