O Fantasma de Neymar

 

Por Paulo Figueiredo-

Até quando Casagrande justificará seus percalços com o camisola 10?

Walter Casagrande voltou às manchetes com mais uma de suas teorias conspiratórias. 

Desta vez, o ex-comentarista sugeriu que sua saída da TV Globo pode ter sido articulada nos bastidores pela família de Neymar.

 Segundo ele, por criticar o atacante enquanto a emissora detinha contratos e dinâmicas exclusivas com o jogador, o pai de Neymar teria agido para "cortá-lo".

A declaração, no entanto, escancara um fenômeno que já ultrapassou o debate esportivo e beira o obsessivo: **a incapacidade de Casagrande de dissociar qualquer acontecimento da sua vida da figura de Neymar.

 Ver o "Neymar em tudo": Um caso de fixação?

É legítimo e saudável que a imprensa faça críticas ao desempenho ou ao comportamento de atletas de alto rendimento. 

O problema surge quando a análise crítica dá lugar a um monólogo sem fim, onde um único jogador se torna o centro gravitacional de todos os males do futebol — e, agora, da própria carreira do comentarista.

Ao atribuir sua demissão a uma suposta "mão invisível" do estafe do jogador, Casagrande parece alimentar um enredo em que ele é o protagonista injustiçado e Neymar, o vilão onipresente.

*Se o microfone falha, a culpa é do Neymar? Se o contrato acaba, o pai do Neymar operou nos bastidores?*

Esse nível de centralização da figura do atleta em absolutamente tudo o que acontece ao seu redor levanta questionamentos inevitáveis:

 * **Falta de autocritica:** 

Não considera reestruturações de mercado, mudanças de perfil das emissoras ou o fim natural de ciclos profissionais.

 * **Narrativa de perseguição:** Transforma divergências de opinião em uma conspiração pessoal de proporções épicas.

 **Monotema:** Reduz a complexidade do jornalismo esportivo a uma cruzada pessoal de um homem contra uma família.

 Além das quatro linhas

O público do futebol já percebeu há algum tempo que a relação crítica de Casagrande com Neymar deixou de ser técnica.

 Tornou-se um espetáculo à parte, quase um desabafo contínuo que soa exaustivo para quem busca análises isentas.

A insistência em enxergar a sombra de Neymar e de seu pai em cada curva de sua trajetória profissional aponta para uma fixação que já cruza a linha da razão. Quando o debate esportivo vira uma pauta única e quase obsessiva, quem perde a credibilidade não é o criticado, mas sim quem não consegue falar de outro assunto.


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