Psolista pede revisão após perder escolta por agenda na Maré
Proteção foi revogada após visitas à área dominada por traficantes e milicianos.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) perdeu o direito à escolta armada da Câmara após visitas seguidas ao Complexo da Maré, região dominada pelo crime organizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. A parlamentar pediu revisão e conseguiu recuperar o benefício.
Após o pedido da deputada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), revogou a decisão nesta quinta-feira (2) e autorizou a retomada da proteção, em caráter excepcional, pelo período de 90 dias. O prazo começou a ser contado a partir do dia 12 de junho.
O gabinete da parlamentar afirmou que as visitas às comunidades fazem parte de sua agenda oficial. Uma delas foi para uma audiência pública aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano e para eventos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Agora eu não posso ir à favela encontrar lideranças comunitárias ou participar de uma audiência pública aprovada pela Câmara? — questionou.
Talíria alerta para a necessidade da segurança reforçada, tendo em vista que é alvo frequente de ameaças por parte de milicianos e tem investigações em andamento relacionadas a esse tipo de crime. Ela faz parte do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.
Por meio de um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, a congressista deu detalhes sobre as ameaças sofridas.
— Há uma década sou ameaçada de morte. Já tive que sair por um ano da minha cidade e da minha casa com uma filha pequena por conta de um plano de execução da milícia. Meu endereço e o nome dos meus filhos já foram vazados por grupos supremacistas brancos — disse.
Esta não é a primeira vez que a deputada perde a proteção. Motta havia tomado a medida após a Polícia Legislativa considerar que a parlamentar teria ingressado em áreas de “altíssimo risco”, tornando inviável o trabalho da equipe de segurança.

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