Um "estado" paralelo dentro do Estado.
Há quase cinco décadas atrás ouvi, numa aula no curso na PMERJ, um oficial superior dizendo que não confundisse o trabalho policial militar com Forças Armadas, pois não tínhamos inimigos e sim adversários. Pois não estávamos em guerra por território.
E, naquela época, isso era uma verdade. Ilícitos ocorridos em comunidades dotadas de DPO, bastava um "catuque" dos PMs do posto para que o veículo ou arma roubada/furtada fosse devolvido. A PMERJ só passou a usar fuzis de guerra porque o tráfico passou a usá-los antes para o enfrentamento à polícia, aí tudo desandou.
Há cerca de quatro décadas atrás roubar carros no Brasil e levar para o Paraguai era. O crime rentável da moda. Seus donos, em investigação particular, identificaram seus veículos naquele país, rodando com emplacamento legal.
No anseio de rever seu bem roubado, comunicavam às autoridades do Brasil e estas alegavam que os veículos só poderiam ser repatriados com a boa vontade daquele governo, do Paraguai, e que a soberania daquele país deveria ser respeitada. Ou. Seja, adeus carrinho!
Hoje o Paraguai vive outra realidade, até porque grandes empresas antes sediadas no Brasil, estão partindo para lá.
A respeito do que me foi ensinado na preparação para ser policial militar sobre não termos inimigos, a realidade se modificou. O que temos hoje no Brasil e em particular no Rio de Janeiro, são territórios tomados e onde nada se faz sem autorização de quem domina aquele território.
Numa reportagem na TV RECORD, o apresentador, pediu ao vivo que o chefe do tráfico da Maré devolvesse o carro de um trabalhador, que mesmo o carro estando monitorado apontando sua localização, o "Poder Público" não poderia recuperar pelo risco de "efeitos colaterais". Afinal, estamos em ano eleitoral e adentrar numa área dominada pelo narco terrorismo pode ser um atentado à "soberania" daquela comunidade.
Para finalizar, o pedido foi atendido, veículo devolvido a noite, mas a Polícia só foi fazer a recuperação no dia seguinte. Cadê a soberania do Estado pelos territórios ocupados pelo narco terroristas fortemente armados que atualmente ditam as regras, inclusive aplicando penas de tortura e morte?
E é assim, neste país onde muito se fala em "democracia" e "soberania", onde estes não existem mais.
Texto do Blog.



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