A caixa-preta da pandemia
"O silêncio de Anthony Fauci no Senado americano recoloca em debate a arrogância de decisões que exigiram obediência e puniram dúvidas"
Por que o mundo perdeu tantas vidas na pandemia? Por que tantos empregos e tantos negócios foram destruídos? Por que tantas famílias foram trancafiadas em casa, sob a mira da polícia? Qual a eficácia real daquelas máscaras? Por que fechar as escolas indefinidamente e confinar crianças com avós? Por que determinar o cancelamento de cirurgias e consultas? Por que impor uma vacina desenvolvida sem a conclusão dos testes necessários? Por que colocar um alvo nas costas de todos aqueles que tinham algum receio de se deixar inocular? Por que perseguir gente do povo com ameaça de demissão do emprego ou processo judicial ou até perda da guarda dos filhos pelo crime de ter dúvidas? E médicos, por que proibi-los de prescrever tratamentos à base de drogas reposicionadas, ainda que estivessem lastreados em evidências teóricas e empíricas? Por que tratar um paciente deixou de ser obrigação e se converteu em crime?
Em 2020, deu a louca no mundo, e só agora começa a ser aberta a caixa-preta daquela grande onda de petulância das elites burocráticas e pretensamente científicas - porque ciência, como o jornalismo, não proíbe perguntas; promove-as. Na quarta-feira (29), o alto funcionário de Washington que se tornou o oráculo mundial das medidas autoritárias que varreram o mundo teve de encarar o Senado dos EUA para acertar as contas com a história. Anthony Fauci, o todo-poderoso ex-diretor do NIAID - Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas -, alegou orientação de advogados para ficar em silêncio diante de 111 questionamentos. Ficou calado ante a acusação de ter escondido evidências de que o vírus da Covid-19 não surgiu da natureza, mas de experimentos de "ganho de função" realizados no laboratório de Wuhan, na China, e com a ajuda de verbas federais norte-americanas alocadas com sua aprovação. Nada disse sobre o endosso que deu à ampliação universal de doses de reforço de vacinas, sem a devida atenção a casos de miocardite em jovens. A relação dele com laboratórios farmacêuticos também está sob investigação.
Já se sabe que Fauci mentiu, manipulou e sucumbiu à vaidade. Deliciou-se com a fama e a influência mundial que adquiriu quando era o mandachuva. É o que transparece de suas próprias anotações e e-mails - aqueles que ele ainda não destruiu. Milhões pereceram, outros ainda trazem sequelas da grande tragédia descrita pelo senador Rand Paul. "Haverá outra pandemia, e haverá autoridades que insistirão que a incerteza deve ser escondida para o bem do próprio público. Exigirão obediência. Invocarão a ciência - 'eu sou a ciência' - como se fosse um mandamento. Argumentarão que autoridades governamentais não podem ser questionadas porque questioná-las minaria a confiança pública. Elas estão erradas. É o segredo que destrói a confiança. São a arrogância e a censura que destroem a confiança."


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