A PIZZA ESTÁ NO FORNO... E O BRASIL ASSISTE...!!!

Gente, antes de qualquer coisa: isso é apenas a minha opinião. É a minha percepção diante do que estou assistindo. 

Comecei a acompanhar a reunião dos ministros do STF e, pelo andar da carruagem, tenho a impressão de que estão preparando uma bela pizza. Uma massa sofisticada, cheia de filigranas jurídicas, normas, procedimentos e interpretações, tudo sendo feito diante dos olhos de uma nação inteira. A discussão parece caminhar muito mais para saber se era permitido investigar desta ou daquela maneira, quem poderia investigar quem, quais regras foram observadas e quais não foram, do que para enfrentar aquilo que realmente interessa ao cidadão comum: o que foi descoberto? Existem fatos concretos? Existem provas? Existem indícios que precisam ser investigados? E aí está o meu temor. Pode-se chegar ao ponto de declarar que determinada investigação não poderia ter sido feita daquela forma e, com isso, colocar em dúvida ou simplesmente inutilizar todo o material obtido pela Polícia Federal. Se isso acontecer, a sensação que fica para mim é devastadora: o sistema passa a discutir a validade da investigação antes de discutir a gravidade daquilo que ela descobriu. E aí eu me pergunto: quem fiscaliza quem?

Nós temos três Poderes. Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas, quando um Poder passa a ter condições de estabelecer os limites da própria fiscalização, de interpretar as regras que atingem seus próprios integrantes e, eventualmente, de decidir sobre investigações que envolvam seus próprios membros, eu, como cidadão, começo a enxergar uma deformação perigosa no equilíbrio entre os Poderes. E não estou dizendo que todos os ministros sejam iguais. Não estou dizendo que todos tenham cometido qualquer irregularidade. Não estou acusando ninguém de crime. Estou falando de uma coisa muito mais simples: da minha sensação de impotência como cidadão.

O STF é o Supremo Tribunal Federal. Pelo próprio nome, parece estar lá em cima de tudo. Acima dele, institucionalmente, deveria estar a Constituição. E, acima da Constituição, para quem acredita, só Deus. Só que Deus, pelo menos até onde sabemos, não participa das sessões do Supremo.  Então, meus amigos, estamos lascados!!! Porque o Senado, que constitucionalmente deveria exercer uma função importantíssima de fiscalização sobre o Supremo, também parece, aos meus olhos, incapaz de enfrentar determinadas estruturas de poder. E a Câmara dos Deputados, que deveria representar diretamente os mais de 200 milhões de brasileiros, muitas vezes parece tão distante do cidadão comum que dá a impressão de que o povo só é lembrado na hora de votar.

E nem me venham com aquela história de que “as eleições estão chegando e o povo vai decidir pelo voto”. Eu gostaria muito de acreditar nisso. Mas o cidadão comum não escolhe livremente quem pode disputar uma eleição. Antes de chegar à urna, existe uma estrutura partidária, existem caciques, diretórios, interesses e filtros políticos. Eu mesmo posso ter uma ideia, uma convicção, uma proposta e uma disposição enorme para defendê-la. Mas quem decide se eu posso ou não colocá-la na disputa eleitoral não sou eu. Então, às vezes, até o nosso celebrado “poder do voto” chega ao eleitor depois de passar por uma peneira política.

E é justamente aí que começa a minha angústia. Estou vendo instituições criadas para limitar o poder umas das outras cada vez mais envolvidas numa disputa de poder entre elas próprias. Estou vendo um sistema que deveria proteger o cidadão dando, cada vez mais, a sensação de estar ocupado em proteger a si mesmo. E quando instituições que deveriam ser freios e contrapesos passam a parecer interessadas principalmente em preservar seus próprios espaços de poder, a democracia começa a ficar com cara de condomínio fechado.

O cidadão paga a conta, trabalha, produz, paga impostos, cumpre as leis e assiste de fora. E quando reclama, escuta: “Está tudo dentro da lei.” Pois é... Às vezes, o que me assusta não é apenas aquilo que a lei permite. É aquilo que a lei parece não conseguir impedir.

Estou escrevendo isso enquanto acompanho essa reunião e, depois de apenas algumas horas, já consigo imaginar a manchete de amanhã: uma grande explicação jurídica, uma justificativa técnica, uma filigrana processual daqui, outra dali... E, no final, talvez a montanha parindo um rato.

A PIZZA SAI DO FORNO.

E nós, brasileiros, ficamos olhando.

Eu confesso: isso está me fazendo muito mal. Porque começo a enxergar uma corda sendo esticada cada vez mais. E corda, todo mundo sabe, quando estica demais, arrebenta.

O meu maior medo não é uma mudança política. O meu maior medo é que a impotência, a descrença nas instituições e a sensação de que não existe saída dentro das próprias regras levem uma parte da sociedade a concluir que só resta a ruptura.

E aí estaremos diante do pior cenário possível: uma revolução entre brasileiros, contra brasileiros.

Uma guerra fratricida.

E eu não quero isso. Não quero sangue. Não quero violência. Não quero vingança.

Quero simplesmente aquilo que deveria ser o básico de uma democracia:

LEI PARA TODOS. PODER COM LIMITES. INSTITUIÇÕES FISCALIZANDO INSTITUIÇÕES. E O CIDADÃO ACIMA DOS INTERESSES DE QUEM OCUPA TEMPORARIAMENTE O PODER....!!!

Porque poder nenhum é propriedade de quem o exerce...!!!

O PODER PERTENCE AO POVO...!!!

E quando o povo começa a acreditar que não tem poder nenhum...

AÍ, MEU AMIGO, O PROBLEMA DEIXA DE SER POLÍTICO. PASSA A SER INSTITUCIONAL...

By: Amaro Siqueira Barros

Texto extraído da internet. 

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