O preço da briga

O presidente Lula da Silva (PT), que surfava até semana passada na onda da reeleição garantida, mesmo que apertada, deu um tiro no pé a três semanas da eleição presidencial. A aparição em rede nacional em defesa do Supremo Tribunal Federal jogou todos os evangélicos e os indecisos - não apenas os cristãos - na fila de voto do rival Flávio Bolsonaro (PL). Ele vai aparecer empatado com o petista, ou até virando o jogo, nas próximas pesquisas. É o que comentam entre portas três caciques de grandes partidos.

Lula puxou para si a crise protagonizada por Alexandre de Moraes na Corte - este, sob forte suspeita de prevaricação - e a defesa do Tribunal conotou aos olhos da sociedade uma tentativa de proteção a Moraes e de blindagem ao PGR Paulo Gonet, citados no inquérito da PF na relação com o "banqueiro" Daniel Vorcaro. O estrago é enorme. Há informes de que todas as igrejas neo e pentecostais se uniram para defender o "terrivelmente" evangélico, ministro André Mendonça, nesse embate com Moraes. E isso causará dois efeitos: o voto não-Lula e o voto de protesto pró-Flávio. A conferir.

Blindagem?

Há um mistério que a Polícia Federal, delegados, peritos e investigadores devem responder. Com tanta tecnologia pericial cibernética, já provada em outras operações e tão celebradas no meio, por que ainda não foram revelados no inquérito o conteúdo das mensagens do ministro Alexandre de Moraes para Daniel Vorcaro, do Banco Master. É de interesse público. A cada dia mais pertinente esse caso.

Gabinete paralelo.

Além da acusação do ministro André Mendonça (STF) de que o diretor da PF, Andrei Rodrigues, teria criado um gabinete paralelo para investigá-lo, pesa contra o delegado mais situações: Presença no Uísque & charuto em Londres com Vorcaro; Passeio com namorada em vinícola do Rubens Menin em Portugal (sócio de Vorcaro na SAF do Atlético Mineiro); Troca de delegado que investiga Lulinha e suspeita de segurar informações de inquérito contra Alexandre de Moraes e Lulinha.

Cada um por si?

O presidente Lula que se cuide. Desde que eclodiu a crise no STF, o candidato dele no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), tem dito que o mais prudente é ficar longe dessa confusão. Ele teria dito a pessoas próximas que "isso é problema de Lula e do PT". E reiterado "que ninguém mova uma palha em direção ao petista" em cidades onde ele tem apoio em dobrada com Flávio Bolsonaro, como Duque de Caxias, Magé, Teresópolis e outras.

Por Leandro Mazzini Com Equipe DF, RJ e SP | 9 de setembro de 2026

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