Símbolos são perigosos… para ditaduras.

Rafael Satiê com quadro de Bolsonaro, em Teresópolis (RJ) Foto: Reprodução/Instagram (@rafaelsatie)

Por Rafael Satiê 

Todas as revoluções, mudanças de regime e até inspirações pessoais podem ser representadas por símbolos, signos e falas que ecoam pela eternidade. Todos nós temos símbolos que nos inspiram e que representam força, esperança e liderança.

Grandes histórias sempre passam por símbolos. Um grande exemplo disso é como o nosso país se originou através de uma história baseada em um símbolo.

Afonso Henriques, que se tornou rei de Portugal, em desvantagem contra os mouros, avistou a cruz de Cristo e escutou uma voz divina falar: “In hoc signo vinces”, prometendo a vitória naquela batalha e proteção ao futuro reino.

Após essa batalha, Portugal foi unificado, adotou a cruz de Cristo como símbolo e a levou para o mundo inteiro.

Existem também os casos de líderes que se tornam símbolos, pessoas que ultrapassam o tempo e deixam seus rostos marcados na história, perpetuando-se como símbolos. Podemos aferir isso em figuras políticas, religiosas e até mesmo em grandes homens que foram empreendedores e inovaram em suas áreas.

Ao longo da história, governos repressivos sempre tentaram apagar a imagem de símbolos para que a população venerasse apenas o que eles queriam: o governo.

E, sim, não apenas contra pessoas. Os tiranos já proibiram até mesmo imagens religiosas e culturais, afinal, quanto menos representado um povo for, mais fácil será controlá-lo.

Nesta segunda (21), em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro, a polícia do Tribunal Regional Eleitoral (TRE); algo que nem deveria existir; demonstrou, na prática, como isso funciona: o vereador Rafael Satiê teve um quadro de Jair Bolsonaro (sim, um quadro) apreendido por “propaganda política exacerbada”.

Mas o que torna essa situação completamente contraditória é que Jair Bolsonaro sequer é candidato.

A grande verdade é que não existe qualquer fundamento legal para essa decisão. O TRE apenas quis demonstrar seu poder e tentar, como todos os tiranos fazem, “apagar” o símbolo que representa a direita: Jair Bolsonaro.

Porém, o tiro saiu pela culatra. Diversos candidatos, parlamentares e pessoas comuns começaram a postar uma imagem de Bolsonaro em suas redes sociais como protesto contra o que o TRE fez no Rio de Janeiro.

Sim, eles podem tentar apagar os símbolos, mas jamais podem mudar aquilo em que realmente acreditamos.

Rafael Satiê é vereador pelo Rio de Janeiro e presidente da Comissão de Combate ao Racismo.



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