Cai o véu do regime.
"Mendonça e Fux pedem acesso integral aos autos do 4.781, o Inquérito das Fake News, criticado por Marco Aurélio Mello por não ter objeto definido".
Por Eugênio Esber.
Prepare-se para em breve tomar contato com as entranhas repugnantes do Inquérito 4.781, que mostrou ao Brasil como opera uma ditadura que não veste farda, e sim toga. Dois ministros do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça e Luiz Fux, cada um a seu tempo, pediram ao presidente da corte, Luiz Edson Fachin, acesso integral aos autos da monstruosidade processual que escandalizou um colega deles, hoje ministro aposentado, Marco Aurélio Mello. "É o inquérito do fim do mundo", vaticinou Mello, na sessão de 18 de junho de 2020 da Suprema Corte. Ele procurava advertir seus pares de que uma investigação vaga, sem objeto definido, aberta de forma ilegal e entregue irregularmente às mãos do ministro Alexandre de Moraes, seria uma espada erguida sobre a cabeça de qualquer brasileiro. "O sistema brasileiro é acusatório, não inquisitorial", esfregou Mello na cara das "Excelências", sob o olhar gélido e esquisitão de Moraes, o carrasco, digo, relator, que atuaria na perseguição "sem limites" (expressão de Mello) aos críticos da corte.
Só não via o ovo da serpente quem não queria ver - e este era o caso.
de setores influentes da imprensa, que não haviam digerido a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018. Nenhuma surpresa: _pesquisa da UFSC revela que 81% dos jornalistas do Brasil se autodefinem como "de esquerda", "de centro-esquerda" e de "extrema-esquerda". Com tamanho viés, as manchetes saudaram um inquérito ilegal e brutalmente autoritário que nos chegava com o aveludado rótulo de "Inquérito das Fake News". As redações não deram eco nem mesmo à corajosa manifestação da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedindo o arquivamento do 4.781. (Que saudade do tempo em que o chefe do Ministério Público, legítimo titular da ação penal, era altivo no papel de fiscalizar a aplicação da lei e não cortejava um vigarista-master a troco de uísques e charutos.)
O resto, todos sabemos: Moraes se lambuzou - e se locupletou - do poder arbitrário que recebeu em 14 de março de 2019 do presidente do STF, Dias Toffoli, para interditar um governo eleito, perseguir seus integrantes e, inclusive, os populares que apoiavam o mandatário ou, simplesmente, questionavam a atuação despudoradamente parcial da Suprema Corte nas eleições de 2022.
Hoje, acossado por indícios de condutas que o Código Penal tipifica como corrupção passiva, advocacia administrativa e obstrução de justiça, Moraes deve ser defenestrado pelo Senado conservador que os brasileiros elegeram domingo passado. E você e eu saberemos se também, por alguma simples postagem, fomos parar nos arquivos secretos de Moraes e seu "Inquérito das Fake News". Que, aliás, nasceu de um embuste. Não foi aberto para combater fake news, e sim para sufocar uma apuração da Receita Federal, em 2019, sobre "inconsistências graves" em declarações fiscais de duas advogadas que eram casadas com os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.




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