Brasileira espalha cartazes de 'procurado' com foto de Flávio Bolsonaro em Nova York.
Cartazes com a foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, foram espalhados em ruas e estações de metrô de Nova York, nos Estados Unidos. A ação foi realizada por ativistas de esquerda durante o fim de semana de Halloween, poucos dias depois de o parlamentar deixar o Brasil e desembarcar em território norte-americano.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, uma brasileira mascarada aparece exibindo um dos cartazes, que apresenta Flávio como "procurado". Durante a gravação, ela afirma que o senador é acusado de crimes contra a democracia e pede que ele seja retirado dos Estados Unidos.
"Procurado nos Estados Unidos", declara a mulher. Em seguida, acrescenta que Flávio não seria um perseguido político, mas alguém que deveria ser deportado.
Os materiais distribuídos também fazem acusações contra o presidente norte-americano Donald Trump. Os ativistas sustentam que o republicano tentou interferir nas eleições brasileiras e teria auxiliado na saída do senador do país.
Saída do Brasil e ordem do STF.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de 27 de outubro, dois dias depois da derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um novo mandato.
Segundo informações divulgadas sobre o deslocamento, o senador atravessou por terra para a Argentina, embarcou em um jatinho particular em Puerto Iguazú, fez escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã seguinte, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes brasileiros e de outras nacionalidades do parlamentar no prazo de 24 horas, além de proibir sua saída do território nacional.
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de evasão após o resultado das eleições.
Flávio afirmou que cumpriria a determinação, mas não entregou os documentos dentro do prazo. A Polícia Federal informou que não havia registro oficial da saída do senador por postos de controle migratório brasileiros e passou a investigar as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial.
Os passaportes brasileiros comum e diplomático foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema de controle de fronteiras.
A entrada do senador nos Estados Unidos também teve participação do governo Trump. Autoridades norte-americanas tinham conhecimento da determinação judicial brasileira e informaram que permitiriam sua entrada no país. Posteriormente, Trump confirmou a autorização: "Sei que demos a ele autorização para entrar no país".
Por que Flávio não é considerado foragido.
Apesar de ter deixado o Brasil após a determinação do STF, Flávio Bolsonaro não é formalmente considerado foragido da Justiça.
A Polícia Federal esclareceu que a proibição de utilizar passaportes, isoladamente, não caracteriza a condição de foragido nem representa uma ordem automática de prisão.
Juridicamente, a classificação de foragido está relacionada à existência de um mandado de prisão não cumprido, quando a pessoa é procurada pelas autoridades para responder à determinação judicial.
No caso do senador, não havia mandado de prisão em vigor. A decisão de Alexandre de Moraes determinava a entrega dos documentos de viagem, medida que não equivale a uma ordem de prisão.
O parlamentar também não se enquadra na definição jurídica de exilado político, condição associada ao afastamento forçado de uma pessoa de seu país por razões políticas.
Inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
Flávio Bolsonaro é investigado em três procedimentos mencionados no Supremo Tribunal Federal. Os casos envolvem suspeitas relacionadas ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, movimentações financeiras e uma publicação contra o presidente Lula.
Um dos procedimentos apura possíveis irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação envolve um suposto pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para custear a produção.
A Polícia Federal apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, além de suspeitas sobre a destinação de parte dos recursos. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Outro inquérito investiga possíveis irregularidades financeiras envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e o senador. As apurações apontam que Flávio seria usuário master de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, de Tomaz.
As movimentações investigadas seriam próximas de R$ 5 bilhões e envolveriam suspeitas de evasão de divisas e utilização de casas de apostas. O procedimento está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
O terceiro caso envolve uma publicação feita por Flávio na rede social X, em janeiro deste ano. Na postagem, o senador comparou Lula ao ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e atribuiu ao petista crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A investigação apura possível calúnia contra o presidente e também está sob relatoria de Moraes.
Defesa nega irregularidades.
A defesa de Flávio Bolsonaro nega as acusações nos procedimentos.
Sobre o financiamento de "Dark Horse", o senador afirmou que se tratou de "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público".
Em relação ao advogado Willer Tomaz, a defesa sustenta que a relação entre os dois é de amizade e que o parlamentar "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz".
No inquérito relacionado à publicação contra Lula, os advogados classificaram as suspeitas como resultado de uma "interpretação equivocada".
Em breve deportada depois de responder pelos crimes práticos com seu ato. Pensam que estão no Brasil, onde a Justiça não os alcança.


Em breve deportada depois de responder pelos crimes práticos com seu ato. Pensam que estão no Brasil, onde a Justiça não os alcança.
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